Artigo Técnico

1 Milhão de Vidas Salvas Por Ano
O Poder (Subestimado) da Higiene das Mãos na Saúde Global

Por Filipe Macedo | 13 de Maio de 2025
Higiene de Mãos 2025

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Higiene das Mãos 2025: “Luvas, às vezes. Higiene das mãos, sempre.”

A higiene das mãos é universalmente reconhecida como a medida mais eficaz para prevenir as infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) e combater a propagação da resistência antimicrobiana (RAM). As evidências científicas são esmagadoras: a higiene adequada das mãos pode prevenir até 50% das IACS, reduzindo significativamente a morbilidade e a mortalidade dos doentes.

Higiene de Mãos 2025

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Anualmente, no dia 5 de maio, unem-se profissionais de saúde e público em geral para destacar a importância desta prática na área da saúde, mas também noutros setores. A campanha deste ano 2025, sob o slogan “Luvas, às vezes. Higiene das mãos, sempre”, enfatiza que, embora as luvas sejam por vezes necessárias, nunca substituem a higiene adequada das mãos.

 

Mas porque é a higiene das mãos tão importante?

Esta medida é comumente considerada a mais eficaz e menos dispendiosa na prevenção da transmissão de microrganismos durante a prestação de cuidados de saúde e, consequentemente, de IACS. Estas, continuam a causar danos significativos, quer a doentes quer a profissionais de saúde em todo o mundo. Mais de 8 milhões de IACS ocorrem todos os anos em unidades de cuidados agudos e de longa duração na União Europeia e no Espaço Económico Europeu (UE/EEE).

Uma boa higiene das mãos é a defesa de primeira linha contra a propagação de microrganismos resistentes a antimicrobianos. A lavagem correta das mãos com água e sabão, ou a utilização de uma solução antissética de base alcoólica (SABA) pode prevenir a propagação de microrganismos epidemiologicamente significativos, como Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) ou Enterobacterales resistentes a carbapenemes (CRE), mas também de doenças comuns provocadas por vírus, como a gripe ou a COVID-19. Ao prevenir infeções, a higiene das mãos reduz a necessidade do uso de antimicrobianos, o que por sua vez diminui a resistência dos microrganismos aos mesmos. Na verdade, estudos mostram que a higiene regular das mãos pode salvar anualmente até 1 milhão de vidas em todo o mundo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) sublinha que a higiene das mãos deve ser uma componente essencial dos programas de prevenção e controlo de infeções para combater a resistência antimicrobiana.

Apesar desta eficácia comprovada, a adesão aos programas de higiene das mãos continua inferior ao desejado, mesmo em países de alto rendimento. A título de exemplo, um relatório da National Foundation for Infectious Diseases (2025 State of Handwashing Report) refere que quase metade dos adultos norte-americanos admitem esquecer-se ou ignorar a lavagem das mãos em momentos críticos, incluindo após visitar locais de prestação de cuidados de saúde, e que 20% admitem não higienizar as mãos, mesmo sabendo que esta prática pode ajudar a prevenir cerca de 80% das doenças infeciosas. São lacunas como estas que reforçam a necessidade urgente de educação contínua, monitorização e feedback, no sentido de melhorar as práticas de higiene das mãos.

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Recomendações baseadas na evidência

  • Implementar estratégias multimodais de melhoria da higiene das mãos, demonstra melhorias significativas na adesão à prática, o que promove a redução de IACS e a RAM;
  • Dar prioridade à higiene das mãos nos locais de prestação direta de cuidados e pontos de atendimento é fundamental. Como tal deve ser garantida a disponibilidade de locais de higienização nestes pontos;
  • A formação contínua e lembretes aos profissionais de saúde são essenciais para manter uma elevada adesão e promover mudanças comportamentais;
  • É necessário, para uma melhoria sistemática e sustentável, integrar a higiene das mãos nas políticas nacionais e ao nível das unidades de saúde;
  • Investir na higiene das mãos gera retornos económicos substanciais, com poupanças estimadas em 16 vezes o custo de implementação devido à redução das taxas de infeção e dos custos de saúde associados;
  • A conformidade com a higiene das mãos deve ser um indicador-chave de desempenho para os programas de prevenção e controlo de infeções e de resistência aos antimicrobianos, de segurança do doente e de qualidade dos serviços de saúde em todo o mundo.

 

Luvas: um suporte, não um substituto

As luvas continuam a ser um suporte essencial para determinados procedimentos clínicos, mas não eliminam, como nunca eliminaram, a necessidade de higiene das mãos. As luvas podem ser contaminadas durante a prestação de cuidados, devendo ser removidas e descartadas imediatamente após a realização dos procedimentos, seguindo-se a higiene das mãos, respeitando os “5 momentos para a higiene das mãos” da Organização Mundial de Saúde (OMS) World Health Organization .

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O uso excessivo e/ou inapropriado de luvas não só não reduz o risco de transmissão de infeções, como também contribui significativamente para o desperdício gerado na área da saúde. A título de exemplo, durante a pandemia de COVID-19, as luvas foram responsáveis pela maior parte do desperdício diário de equipamentos de proteção individual (EPI).

 

Objetivos da campanha 2025

  • Promover práticas ideais de higiene das mãos, utilizando a técnica e o momento corretos, particularmente cumprindo com os 5 Momentos definidos pela OMS para a Higiene das Mãos;
  • Aumentar a consciencialização sobre o uso adequado de luvas e o seu impacto ambiental, defendendo práticas conscientes e baseadas na evidência;
  • Incentivar a integração da higiene das mãos nas estratégias nacionais de prevenção e controlo de infeções, com a monitorização da conformidade e o feedback como indicadores-chave até 2026;
  • Apoiar a inclusão da água, saneamento, higiene e gestão de resíduos no planeamento do sistema de saúde para melhorar a segurança e a sustentabilidade.
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Conclusão

Juntos, dando prioridade à higiene das mãos e ao uso responsável de luvas, podemos proteger os doentes, os profissionais de saúde e o ambiente.

A higiene das mãos é fundamental na prevenção de IACS e uma estratégia essencial na luta contra a RAM. As evidências científicas são inequívocas: melhorar a adesão à higiene das mãos salva-vidas, reduz os custos com os cuidados de saúde e preserva a eficácia dos antibióticos para as gerações futuras.
Este ano reafirmamos o nosso compromisso com o princípio fundamental da prevenção de infeções: mãos limpas salvam vidas. Ao fazê-lo, assumimos também uma posição ativa contra uma das maiores ameaças à medicina moderna: a resistência antimicrobiana. A higiene das mãos não é apenas uma rotina, mas também um ato de cuidado e responsabilidade.

Enfermeiro Gestor da Residência Sénior Sant'Ana Filipe Macedo

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Filipe Macedo é Enfermeiro Gestor da Residência Sénior Sant’Ana do Campus de Saúde da Misericórdia Vila Franca de Xira, tendo quase duas décadas de experiência profissional. É formador certificado e especialista em controlo de infecção hospitalar, tendo vários artigos científicos publicados em revistas científicas internacionais com revisão por pares.

 

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